Sabes, antigamente, antes de ires embora o mundo parecia um lugar simplesmente assustador e imperativamente devastador. A ideia de ter que viver a minha vida sem ti era simplesmente aterradora e as minhas pernas termiam. Era capaz de sentir os meus joelhos a perder as forcas e a cabeca rodopiar como se se preparasse para embater no chao a qualquer momento. Antes de ires embora achava que a vida era um romance de infinitas paginas cujo o final era apenas um: eu e tu. Contigo ao inicio parecia que finalmente tudo fazia sentido. A minha vida parecia finalmente ter um sentido, um proposito. Lembro-me de adormecer pela primeira vez com um sorriso entre os labios, e quanto bem isso soube, nao e? Imagina agora o meu espanto quando de repente me apercebo que nem sempre os sonhos se tornam realidade, que nem sempre a abobora se torna numa carroagem ou o principe vem atras de nos com um sapato. Imagina como me senti quando abri os olhos e vi. Vi que afinal nunca tinhas estado ali, nunca tinhas entrado no livro, no tal romance.  Mas ainda assim nao queria acreditar. Alias nao podia acreditar! Como seria possivel dar-mes o universo e de repente deixares-me so com o mundo? Que crueldade e essa? Se soubesses o quanto me perguntei isso. Na verdade depois de adormecer a sorrir, as lagrimas consolavam as minhas noites solitarias, em que as perguntas se tornavam efemeras na minha cabeca que girava, e girava e girava... Tantas coisas que eu sentia dentro de mim que nao estavam certas. Tantas. Mas a pergunta premanecia: Quais? Quais sao essas coisas? E o que fazer para as reverter? Sera tarde demais para mudar? Para tudo ser diferente? Eu achei que sim depois achei que nao, e depois achei ainda que talvez. A duvida. Finalmente chegou a vez da duvida. Que me consome por dentro e deixa apenas rastos de destruicao e incerteza. Tive que me afastar sabes? Tive que desaparecer por uns tempos. Tive que conhecer o outro lado da vida. Tive que conviver a sos comigo mesma durante uns tempos. Tive que me odiar, comecar a conhecer, comecar a gostar aos poucos, tive me compreender, tive que me ouvir e discordar de muitas coisas. Tive que concordar com outras tantas, ate que por fim, eu estava pronta a amar outra vez. Eu estava pronta para me amar a mim propria. E hoje, meu querido, eu sei. Nao eram os bares, o cigarro que depressa acabava, as bebidas que nao pareciam ser sufecientes para emendar todos os males deste passado, deste ser, nem eras tu meu bem. Nunca foste tu. Agarrei-me a ti como se fosses a miragem de terra para aquele que naufraga no imenso ao oceano. Agarrei-me a ti e julguei que finalmente iria estar a salvo dos perigos que espreitam, achei que ja nao me iria afogar, pois afinal de contas, estava finalmente em terra... Mas nao. Eu estava a procura de alguem admito. Alguem que me ouvisse pela primeira. Alguem que prestasse atencao em mim pela primeira vez, alguem que me amasse incodicionalmente, e hoje, posso-te dizer que encontrei. Esse alguem era eu. Sempre fui eu. Nos apenas temos tendencia a procurar pelas coisas que sempre estiveram aqui o tempo todo. Antes eu sentia como se me tivesses matado, tivesses espetado uma afiada faca que tinha profurado pelo meu coracao e dado cabo de mim ate ao meu ultimo suspiro mas vejo que afinal, depois de tudo, deste-me o mais importate. Deste-me a mim mesma. E hoje sei, a minha verdadeira casa, e aqui, no meu coracao. E vou voltar a sorrir, vou voltar a ficar triste, vou dar gargalhadas de meia hora e ler quantos livros eu puder, voltarei a chorar, talvez ate a cair, irei erguer-me quantas vezes forem necessarias, irei tombar, tropessar mas rir a seguir e acima de tudo, meu bem, irei sempre amar.

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